quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ser pai faz bem a saúde!

Ser uma pessoa tensa e sempre sob pressão era um “estado de espírito” que comumente fazia parte da minha rotina, apesar de geralmente estar com o semblante sereno. A idade é um fator preponderante para o amadurecimento, claro que isso, por si só não resolve. No entanto, ajuda bastante.
Eu já fui tão nervosinho que bastava algo não me agradar que eu falava mal com maestria (risos), que capacidade de inventar palavras de baixo calão!  Ao ganhar experiência e, por conseguinte maturidade, eu percebi que as coisas poderiam ser resolvidas pelo diálogo. Então, me tornei o debochado de “plantão” (confesso que ainda não me “curei” desse mal)... kkkk. O escárnio me ajudava (ou ajuda?) porque eu demorava mais tempo para me chatear, mas não era o suficiente para me tornar uma pessoa, menos melindrada.
Quando eu soube que seria pai, a minha atitude perante os problemas da vida, que por vezes são tão ínfimos, que nem merecem ser denominados de problemas, passaram a ser irrelevantes porque há um ser especialíssimo, chamado Emanuel, que precisa de mim. Sempre que penso em “estourar” com alguma coisa, eu paro e reflito: vale à pena? Ontem eu tive a oportunidade de colocar esse aprendizado em prática. Recebi uma “agressão” gratuita de um colega, enquanto ele falava todo melindrado sobre uma ninharia; eu pensava: quando chegar a casa abraçarei Emanuel para esquecer essa besteira.
Ao chegar a casa fiz o que havia pensado, como prêmio recebi um belo sorriso do meu pequeno. Então, pensei: ser pai faz bem a saúde!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O beijoqueiro...

O meu iluminado tem aprontado das suas (risos). Eu já havia escrito que ele é um menino muito risonho, acho que em breve dará gargalhada.
Emanuel, na verdade é um observador nato, por isso, sempre está com os seus belos olhos atento ao ambiente que o cerca. Eu como pai, orgulhoso que sou, estou sempre o admirando e mandando beijinhos... disseram que era para estimular. Então, nós não perdemos tempo! Sempre brincamos com Emanuel e o incentivamos a participar das brincadeiras, ele é uma criança extremamente ativa.
Para minha surpresa, entre seus belos sorrisos, Emanuel começou a imitar-nos quando mandávamos beijinhos. Ele ainda não “manda” o beijinho, mas é capaz de juntar os lábios e simula direitinho o beijo... esse menino vai dar trabalho (risos). Após os “beijinhos” ele abre um “sorrisão”... sabe conquistar os que estão a sua volta.
Na sexta-feira, 17 de dezembro, iniciará a hidroterapia (ficou lindo de sunga (my first speedo) e touca)... certamente terei novidades para contar.
Não tenho dúvidas que o meu pequeno abrirá muitas “portas” com tamanha simpatia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O meu pequeno comunicador

O transbordar de alegria em um simples gesto: sorriso do Emanuel.
Emanuel, o meu tesouro, é capaz de manifestar constantemente o seu contentamento com o que está a sua volta. Para nós, adultos, não é fácil perceber o que faz tanto uma criança sorrir, às vezes o simples balançar das folhas de uma  árvore, leva o meu pequeno ao êxtase, impressiona-me o seu olhar. Enfim, o sorriso do Emanuel é capaz de contagiar os que estão a sua volta.
Por ser um pai de primeira viagem, eu considero que as traquinices do meu filhote são comuns, mas tenho ouvido de pessoas mais experientes, que ele é surpreendentemente comunicativo. Certamente puxou a mãe, que fala pelos “cotovelos”. Ela pensa exatamente o oposto (risos), mas já discordamos de tantas coisas, que é melhor apenas sorrirmos sobre essa pequena “divergência”. Na segunda-feira, 06 de dezembro, levamos Emanuel a geneticista e ela disse que em 20 de anos de experiência, não havia conhecido um Down tão comunicativo e, inclusive, sugeriu que filmássemos esse “falatório” do Emanuel.
Aos dois meses e onze dias, Emanuel já sabe tirar de mim uma gargalhada gostosa ou o lacrimejar dos meus olhos, basta expressar-se com o seu belo sorriso. Então, para não acharem que sou um pai muito “babão”, segue o registro fotográfico de um belo sorriso.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fisioterapia

Ontem, pela primeira vez, consegui participar dos exercícios que o meu tesouro faz com a fisioterapeuta. As ações propostas pela profissional ainda são muito simples, eu já havia visto a minha esposa fazendo, mas não tinha participado tão intensamente.
Emanuel, na sabedoria dos seus dois meses, já sabe o que é bom pra ele. No início do tratamento ele reclamava bastante. Agora, além de não reclamar, ele colabora. Os movimentos são singelos, mas cada conquista do meu filho torna tudo à volta mais extraordinário.
Confesso que cansei antes dele, porque a minha colaboração era distraí-lo com alguns brinquedos educativos. A cada movimento eu pensava em algo para chamar ainda mais a sua atenção, nem sempre eu era o “alvo” da sua preferência (risos). Sempre que eu conseguia chamar a atenção dele por mais de um minuto era uma pequena vitória, nesse caso, minha (risos).
Foram 45 minutos que passaram em “apenas 45 segundos”, mas que valeram por uma eternidade. Emanuel, obrigado por ensinar-me a cada dia, que a vida pode e deve ser vivida com amor.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Super-homem!

Há momentos na vida que você se sente invencível, que não precisa de nada, um verdadeiro super-homem. Nessa fase, habitualmente, agimos como se o mundo girasse ao nosso redor.... atitudes comumente comuns na adolescência, mas há pessoas que prorrogam um pouquinho ou que nunca deixam de agir assim.
Claro que a minha adolescência passou faz tempo e nunca me achei arrogante com as outras pessoas, mas sempre me senti muito “dono de si”. Sempre tive dificuldades em pedir ajuda porque achava que me estava “rebaixando”, quanta ignorância! Então, a vida começa a criar novas situações... será que é alguma intervenção divina?
Ao saber que seria pai, eu iniciei o processo de mudança. Comecei a pensar sobre as dificuldades que criava com o meu temperamento e, inclusive, me espelhava na vida do meu pai e avô paterno (duas pessoas, digamos: teimosas). Inúmeras vezes fui comparado a eles e achava exagero, sobretudo, quando as críticas partiam da minha mãe.
Logo no início, como já foi relato nesse blog, eu soube da possibilidade do meu filho ter alguma alteração genética. Então, a luz “acendeu”, pensei que precisaria mudar para ajudar o meu filho, com isso comecei a ver que não poderia resolver tudo sozinho. Quanto mais eu lia sobre síndrome de Down, mas eu aprendia sobre a minha intolerância. Assim, comecei a procurar ajuda, a ler depoimentos de outros pais e contei muito com o colo da minha mãe.
Emanuel ao nascer me possibilitou evoluir um pouco mais, eu já olho as pessoas de outra forma; óbvio que ainda preciso melhorar bastante, mas não me considero mais o super-homem de outrora; apenas desejo ser o super-homem do meu querido e amado filho.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Comunique-se!

Não há dúvida que a comunicação une as pessoas, sobretudo, quando há um bom convívio, porque somos capazes de tirarmos um pouco das nossas “carapaças”. Sim, “carapaças”, porque como alguns animais irracionais, nos escondemos para não nos machucarmos.

Aprendi com a vida, sempre ela (risos), que vale a pena se aventurar e deixar ser seduzido pelo amor... claro que os riscos de sofrimento são maiores, mas a compensação é infinitamente superior, a viver uma vida regrada pelo bom senso. Infelizmente tenho percebido que alguns pais têm medo de se comunicarem com seus filhos, muitas vezes um simples gesto de carinho vale muito mais que uma “penca” de palavras.
Por ser pai de primeira viagem, eu tinha receio de pegar no Emanuel. No entanto, a minha esposa com seu sentido prático, do tipo: “não fiz o menino sozinha”! Ajudou-me bastante. Hoje percebo que cada dia que passa, eu e Emanuel estamos mais unidos; eu sei o que ele quer, apenas pelo choro ou pela sua carinha (que lindas bochechas!).
Conheci uma senhora, mãe de uma criança especial como Emanuel, que durante a nossa conversa insistiu em dizer que o toque era fundamental. A partir desse encontro comecei a me comunicar melhor com meu filho, além de falar bastante, eu o toco com amor, que só existe entre pais e filhos. Ele percebe o quanto é amado e isso se manifesta nos seus belos olhos, vejo felicidade. Enfim, em uma bela tarde aprendi o que não havia entendido em 31 anos de vida...
Ame, especialmente, esse ser especial que é o seu filho!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A difícil arte de fazer o tempo passar...

O tempo, quando estou longe do Emanuel, parece não passar. Ser pai também passa por sentir saudade do nosso "pequeno", mesmo quando não tenham passadas tantas horas.
Não consegui ainda incutir essa idéia de tempo com qualidade, por enquanto, eu tenho pensado que a quantidade está fazendo falta. Normalmente, eu passo 12h longe (dias úteis), e quando me lembro do sorriso matreiro dele; sim, com apenas dois meses ele já consegue me conquistar quando expressa o seu contentamento. Esse "simples" gesto me faz relembrar do que o faz rir. Então, eu dou gargalhadas sozinho, porque geralmente ele rir porque eu ou minha esposa estávamos fazendo alguma gracinha.
O sorriso matreiro também me remete a incrível forma como sou olhado por ele. Sinto tanto amor, que às vezes penso: "espero que o meu filho também sinta que eu o amo". Não há dúvida que há muita ligação entre nós e que, Emanuel veio para unir. Enfim, como não torcer para que o tempo passe mais rápido para estar ao seu lado?
Sinceramente, eu não sei se as atividades que estou desenvolvendo são desinteressantes. No entanto, eu já tenho uma convicção, logo eu, um ser tão questionador... ser pai transcende qualquer coisa.